
Ana Rita Bustorff
Third Sunday after Easter
Many believers may recognise themselves in this Sunday’s Gospel, for we like the disciples walk and we speak of God. We study the Scriptures, yet we do not always recognise the risen Jesus at our side. How often does our faith also express itself in this way, in the past tense (“We had hoped”), when reality has not lived up to our expectations?
The journey taken by the disciples to Emmaus carries with it a shattered hope, the weight of disappointment in heavy hearts, because “[they had hoped] that he was the one who would redeem Israel” and, after all, days had passed without him being seen. They had not yet recognised him, yet there he was, walking side by side with them, questioning them, without reproach, without correcting them and without judging them. Instead, he walks at their pace, ready to listen and teach. And so, “he explained to them in all the Scriptures the things concerning himself”. Jesus is the Word, and that Word is comfort that burns in the heart! In the same way, God enters our lives gently, respecting our silences, our disappointments, our slowness to understand.
It is almost naive to ask Jesus to stay with them as night falls, for He was already with them. And it is only in the act of breaking bread that they recognise Him! After all, hope did not die with Jesus on the cross!
Jesus reveals Himself in the simplicity of a shared meal and allows Himself to be found in the Word and in the Eucharist. Until then, the path of Faith was harsher, darker and devoid of hope. His presence transforms the night into light, just as His words had already burned in their hearts as they walked together.
The responsorial psalm gives voice to this experience: “Show us, Lord, the way of life,” and it calls upon the Lord to be a light on our paths. The paths of flight, despair and desolation can also be paths of life and places of revelation. The recognition of Jesus set the disciples in motion; they rose immediately and returned to Jerusalem with the good news. The despondency that had drained them of hope was filled with a sense of mission, because the risen Jesus changed their course, rekindled their inner light, and made them witnesses.
Yet this path faced its challenges: “Was it not necessary for the Messiah to suffer all this to enter into his glory?” The price of this path was the precious blood of Christ. Easter faith does not offer easy answers. Before our eyes recognise the risen Jesus, God comforts us within, warms our hearts, and restores meaning and hope, because Easter faith is the response to a concrete love, to God’s love for us.
In the end, Jesus disappears, but not from our hearts; faith no longer depends on physical or visible signs. He no longer needs to be seen, because now He lives within us, so that we may have the courage to return, to proclaim and to live as those who have been raised from the dead. Just as in the first reading, from the Acts of the Apostles, we must walk with courage, cast aside doubt and go forth to meet Him.


Ana Rita Bustorff
Terceiro Domingo após a Páscoa
Muitos crentes poderão reconhecer-se no Evangelho deste domingo, pois caminhamos, falamos de Deus, estudamos as Escrituras, mas nem sempre reconhecemos Jesus ressuscitado ao nosso lado. Quantas vezes a nossa fé também se expressa desta forma, no pretérito («Esperávamos»), quando a realidade não corresponde às nossas expectativas?
A viagem dos discípulos de Emaús traz consigo uma esperança desfeita, o peso da desilusão em corações pesados, porque «[eles tinham esperado] que fosse ele quem redimisse Israel» e, afinal, os dias passaram sem que o tivessem visto. Ainda não o tinham reconhecido, mas lá estava ele, caminhando ao lado deles, questionando-os, sem reprovação, sem os corrigir imediatamente e sem os julgar. Em vez disso, caminha ao ritmo deles, pronto para ouvir e ensinar. E assim, «explicou-lhes em todas as Escrituras as coisas que se referiam a si mesmo». Jesus é a Palavra, e essa Palavra é o conforto que arde no coração! Da mesma forma, Deus entra nas nossas vidas com delicadeza, respeitando os nossos silêncios, as nossas desilusões, a nossa lentidão em compreender.
É quase ingénuo pedir a Jesus que fique com eles ao cair da noite, pois Ele já estava com eles. E só no ato de partir o pão é que eles O reconhecem! Afinal, a esperança não morreu com Jesus na cruz!
Jesus revela-Se na simplicidade de uma refeição partilhada e permite-Se ser encontrado na Palavra e na Eucaristia. Até então, o caminho da Fé era mais árduo, mais sombrio e desprovido de esperança. A Sua presença transforma a noite em luz, tal como as Suas palavras já ardem nos seus corações enquanto caminham juntos.
O salmo responsorial dá voz a esta experiência: «Mostra-nos, Senhor, o caminho da vida», e invoca o Senhor para que seja uma luz nos nossos caminhos. Os caminhos da fuga, do desespero e da desolação podem também ser caminhos de vida e lugares de revelação. O reconhecimento de Jesus pôs os discípulos em movimento; levantaram-se imediatamente e regressaram a Jerusalém com a boa nova. O desânimo que lhes tinha esgotado a esperança foi preenchido por um sentido de missão, porque Jesus ressuscitado mudou o seu rumo, reacendeu a sua luz interior e fez deles testemunhas.
No entanto, este caminho enfrentou os seus desafios: «Não era necessário que o Messias sofresse tudo isto para entrar na sua glória?» O preço deste caminho foi o precioso sangue de Cristo. A fé pascal não oferece respostas fáceis. Antes que os nossos olhos reconheçam Jesus ressuscitado, Deus conforta-nos interiormente, aquece os nossos corações e restaura o sentido e a esperança, porque a fé pascal é a resposta a um amor concreto, ao amor de Deus por nós.
No final, Jesus desaparece, mas não dos nossos corações; a fé já não depende de sinais físicos ou visíveis. Ele já não precisa de ser visto, porque agora vive dentro de nós, para que possamos ter a coragem de regressar, de proclamar e de viver como aqueles que ressuscitaram dos mortos. Tal como na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, devemos caminhar com coragem, afastar as dúvidas e ir ao seu encontro.
