Carla Correai Marques

Third Sunday of Lent

 

 

 

This Sunday’s liturgy revolves around a central theme: thirst. Not just physical thirst, but the deeper thirst of the human heart — thirst for meaning, for love, for God.

The thirst of the people in the desert (Exodus 17:3-7)

The people of Israel are in the desert and begin to murmur against Moses. The lack of water generates fear, revolt and doubt: ‘Is the Lord among us or not?’

How often do we, too, in the face of difficulties, question God’s presence? But God always responds with mercy. Water springs from the rock. Where there seemed to be only hardness and rigidity, God brings forth life. Doubt is part of the journey, but it is especially in these moments that God touches us with his love. He opens our hearts to life. We must let him in.

‘Do not harden your hearts today’ (Psalm 94)

The psalm is an urgent invitation: do not harden your hearts.

The greatest danger is not the lack of water — it is distance and inner absence.

A closed heart does not recognise God’s signs, does not trust, does not listen.

Lent is a time to open our hearts. To look at our surroundings and find the beauty and miracle of life in everything and everyone.  Once again, God touches us with his love.

The love poured into our hearts (Romans 5:1-2, 5-8)

And so St Paul reminds us that we are not alone in the desert of life.

‘The love of God has been poured into our hearts through the Holy Spirit.’

God loves us for who we are. He loves us when we are still fragile, and that changes everything. Our hope, our strength, is based on our relationship with God. In this encounter, we give God everything we have, everything we are, without fear. We open ourselves to the truth of His light, of His way. We open ourselves to the truth of life; of eternal life.

The Samaritan woman and the living water (John 4:5-42)

In the Gospel, we encounter a woman who is thirsty — perhaps not only for water, but for dignity, true love, meaning; and it is in this relationship that she encounters the source of life. Jesus, in his humility, begins the dialogue with something surprising: ‘Give me a drink.’ He, who is the source of life, asks for water.

During the conversation, Jesus reveals a greater thirst; a thirst for living water, which only God can quench. The thirst that comes from the heart. The thirst for an encounter with true happiness, service and love for one’s neighbour. A source that flows from within each one of us.

When the Samaritan woman meets Jesus, everything changes; from being excluded, she becomes a missionary. From being ashamed, she becomes a witness. From being thirsty, she becomes a source for others. She leaves her water jar — a symbol of her former searches — and runs to announce: ‘Come and see a man!’

We all have ‘wells’ where we seek happiness, success, recognition, relationships, and material goods. None of this is wrong, but is it enough? Jesus invites us to look at our thirst, open our hearts, and allow him to touch and transform us.

Lent is the time of encounter at the well. It is the time to hear Jesus say:

“If you knew the gift of God…” The greatest and most beautiful wisdom is that which God brings forth from our hearts.

Today, on International Women’s Day, we can reflect on this symbolism in the Gospel reading. Jesus places the woman at the centre, revealing the word.

God entrusts women with the mission of proclaiming, generating life, and transforming environments.

The Gospel shows that women are not only recipients of salvation, but also its proclaimers.

May every woman, wherever she is, rest in God. May she feel loved, respected and called by Him. May every woman, in her strength, in her spiritual wisdom and in her voice, be a source of living water for the world, opening her heart to the love that lives, beats every day and is God.

 


Tradução para o português (Portuguese translation)
Seguido de la traducción al español (Followed by Spanish Translation)

Carla Correai Marques

Terceiro Domingo da Quaresma

 

A liturgia deste domingo gira em torno de um tema central: a sede. Não apenas a sede física, mas a sede mais profunda do coração humano — sede de sentido, de amor, de Deus.

A sede do povo no deserto (Êxodo 17,3-7)

O povo de Israel está no deserto e começa a murmurar contra Moisés. A falta de água gera medo, revolta e dúvida:
“O Senhor está no meio de nós ou não?” Quantas vezes também nós, diante das dificuldades, questionamos a presença de Deus? Mas Deus responde sempre com misericórdia. Da rocha brota água. Onde parecia haver apenas dureza e rigidez, Deus faz jorrar vida.

A dúvida faz parte do caminho, mas é principalmente nestes momentos que Deus nos toca com o seu amor. Que abre o nosso coração à vida.

Devemos deixá-lo entrar.

“Hoje não fecheis o vosso coração” (Salmo 94)

O salmo é um convite urgente: não endurecer o coração.

O maior perigo não é a falta de água — é a distância e a ausência interior.
Um coração fechado não reconhece os sinais de Deus, não confia, não escuta.

A Quaresma é tempo de abrir o coração. De olharmos para o que nos rodeia e encontrar a beleza e o milagre da vida em tudo e em todos.

Mais uma vez, Deus toca-nos com o seu amor.

O amor derramado nos nossos corações (Romanos 5,1-2.5-8)

E, assim São Paulo lembra-nos que não estamos sozinhos no deserto da vida.
“O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo.”

Deus ama-nos pelo que somos. Ele ama-nos quando ainda somos frágeis e isso muda tudo. A nossa esperança, a nossa força, baseia-se na relação com Deus. Nesse encontro onde lhe entregamos tudo o que temos, tudo o que somos, sem medo. Onde nos abrimos à verdade da sua luz, do seu caminho. Onde nos abrimos à verdade da vida. Da vida eterna.

A mulher samaritana e a água-viva (João 4,5-42)

No Evangelho, encontramos uma mulher sedenta — talvez não apenas de água, mas de dignidade, de amor verdadeiro, de sentido; e é na relação que se dá o encontro com a fonte da vida. Jesus, na sua humildade, inicia o diálogo com algo surpreendente: “Dá-me de beber.” Ele, que é a fonte da vida, pede água.
Durante a conversa, Jesus revela uma sede maior; uma sede de água-viva, que só Deus pode saciar. A sede que vem do coração. A sede do encontro com a verdadeira felicidade, do serviço e amor ao próximo. Uma fonte que jorra do interior de cada um de nós.

Quando a mulher Samaritana encontra Jesus, tudo muda; De excluída, torna-se missionária. De envergonhada, torna-se testemunha. De sedenta, torna-se fonte para outros. Ela deixa o cântaro — símbolo das antigas buscas — e corre para anunciar: “Vinde ver um homem!”

Todos nós temos “poços” onde buscamos felicidade, sucesso, reconhecimento, relacionamentos e bens materiais. Nada disso é errado, mas será que é suficiente? Jesus convida-nos a olhar para a nossa sede, abrir o nosso coração e permitir que ele nos toque e nos transforme.

A Quaresma é o tempo do encontro no poço. É o tempo de ouvir Jesus dizer:
“Se conhecesses o dom de Deus…” A maior e mais bonita sabedoria é aquela que Deus faz brotar do nosso coração.

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, podemos refletir neste simbolismo da leitura do Evangelho. Jesus coloca na mulher o protagonismo, a revelação, a palavra.

Deus confia às mulheres a missão de anunciar, gerar vida, transformar ambientes.

O Evangelho mostra que a mulher não é apenas destinatária da salvação, é anunciadora dela.

Que cada mulher, no lugar onde se encontra, possa descansar em Deus. Se sinta amada, respeitada e chamada por Ele. Que cada mulher, na sua força, na sua sabedoria espiritual e na sua voz, seja fonte de água-viva para o mundo, abrindo o coração ao amor que vive, palpita todos os dias e que é Deus.


Do coração do crente fluirão rios de água viva

 


Tradução para o espanhol (Spanish Translation)

 

Tercer domingo de Cuaresma

La liturgia de este domingo gira en torno a un tema central: la sed. No solo la sed física, sino la sed más profunda del corazón humano: la sed de sentido, de amor, de Dios.

La sed del pueblo en el desierto (Éxodo 17, 3-7)

El pueblo de Israel está en el desierto y comienza a murmurar contra Moisés. La falta de agua genera miedo, revuelta y duda: «¿Está el Señor entre nosotros o no?».

¿Cuántas veces, ante las dificultades, también nosotros cuestionamos la presencia de Dios? Pero Dios siempre responde con misericordia. El agua brota de la roca. Donde parecía haber solo dureza y rigidez, Dios da vida. La duda forma parte del camino, pero es precisamente en estos momentos cuando Dios nos toca con su amor. Él abre nuestros corazones a la vida. Debemos dejarle entrar.

«No endurezcáis hoy vuestros corazones» (Salmo 94)

El salmo es una invitación urgente: no endurezcáis vuestros corazones.

El mayor peligro no es la falta de agua, sino la distancia y la ausencia interior.

Un corazón cerrado no reconoce los signos de Dios, no confía, no escucha.

La Cuaresma es un tiempo para abrir nuestros corazones. Para mirar a nuestro alrededor y encontrar la belleza y el milagro de la vida en todo y en todos. Una vez más, Dios nos toca con su amor.

El amor derramado en nuestros corazones (Romanos 5, 1-2. 5-8)

Y así, san Pablo nos recuerda que no estamos solos en el desierto de la vida.

«El amor de Dios ha sido derramado en nuestros corazones por el Espíritu Santo».

Dios nos ama por lo que somos. Nos ama cuando aún somos frágiles, y eso lo cambia todo. Nuestra esperanza, nuestra fuerza, se basa en nuestra relación con Dios. En este encuentro, le damos a Dios todo lo que tenemos, todo lo que somos, sin miedo. Nos abrimos a la verdad de su luz, de su camino. Nos abrimos a la verdad de la vida, de la vida eterna.

La mujer samaritana y el agua viva (Juan 4, 5-42)

En el Evangelio, nos encontramos con una mujer que tiene sed, quizá no solo de agua, sino de dignidad, de amor verdadero, de sentido; y es en esta relación donde encuentra la fuente de la vida. Jesús, en su humildad, inicia el diálogo con algo sorprendente: «Dame de beber». Él, que es la fuente de la vida, pide agua.

Durante la conversación, Jesús revela una sed mayor, una sed de agua viva que solo Dios puede saciar. La sed que viene del corazón. La sed de encontrar la verdadera felicidad, el servicio y el amor al prójimo. Una fuente que brota del interior de cada uno de nosotros.

Cuando la mujer samaritana se encuentra con Jesús, todo cambia; de ser excluida, se convierte en misionera. De sentir vergüenza, se convierte en testigo. De estar sedienta, se convierte en fuente para los demás. Deja su cántaro, símbolo de sus antiguas búsquedas, y corre a anunciar: «¡Venid a ver a un hombre!».

Todos tenemos «pozos» en los que buscamos la felicidad, el éxito, el reconocimiento, las relaciones y los bienes materiales. Nada de esto está mal, pero ¿es suficiente? Jesús nos invita a mirar nuestra sed, a abrir nuestro corazón y a permitirle que nos toque y nos transforme.

La Cuaresma es el tiempo del encuentro en el pozo. Es el tiempo para escuchar a Jesús decir:

«Si conocieras el don de Dios…». La sabiduría más grande y hermosa es la que Dios hace brotar de nuestros corazones.

Hoy, en el Día Internacional de la Mujer, podemos reflexionar sobre este simbolismo en la lectura del Evangelio. Jesús coloca a la mujer en el centro, revelando la palabra.

Dios confía a las mujeres la misión de proclamar, generar vida y transformar entornos.

El Evangelio muestra que las mujeres no solo son receptoras de la salvación, sino también sus anunciadoras.

Que cada mujer, dondequiera que esté, descanse en Dios. Que se sienta amada, respetada y llamada por Él. Que cada mujer, con su fuerza, su sabiduría espiritual y su voz, sea fuente de agua viva para el mundo, abriendo su corazón al amor que vive, late cada día y es Dios.

Del corazón del creyente manarán ríos de agua viva